domingo, 3 de maio de 2015

Curso Vipassana


Meditação Vipassana
https://www.dhamma.org/pt/about/vipassana

Geral

Cursos Bilingues são cursos realizados em duas línguas. Todos os estudantes ouvirão as instruções diárias em ambas as línguas. Os discursos da noite serão ouvidos em separado.
Estudantes antigos são aqueles que completaram um curso de 10 dias de Meditação Vipassana com S.N. Goenka ou com os seus Professores Assistentes.
Os estudantes antigos têm a oportunidade de prestar serviço ao Dhamma nos cursos listados acima.
Todos os cursos são realizados somente com base em doações. Todas as despesas são cobertas por doações daqueles que, por terem completado um curso e experimentado os benefícios de Vipassana, desejam dar aos outros a mesma oportunidade. Nem o Professor ou os professores assistentes são remunerados; eles e aqueles que servem no curso fazem-no de forma voluntária. Assim Vipassana é oferecida livre de comercialismo.
Curso de meditação são realizados tanto em centros como em locais arrendados. Centros de Meditação são instalações dedicadas somente à meditação, onde são realizados regularmente cursos durante todo o ano. Antes dos centros de meditação desta tradição terem sido construídos, todos os cursos eram realizados em locais temporários, tais como campos de férias, centros de retiros religiosos, igrejas e outros. Hoje, em regiões onde os centros ainda não tenham sido construídos por estudantes locais de Vipassana, os cursos de 10 dias de meditação são realizados em locais "sem-centro".

Tipo de curso

Cursos Curtos para Estudantes Antigos (1-3 dias) são para qualquer estudante que tenha completado um curso de 10 dias com S.N. Goenka e os seus professores assistentes. Todos os estudantes antigos são bem-vindos a se inscrever para participar nestes cursos, incluindo aqueles que tenham feito o seu último há já algum tempo.
Cursos de 10 dias são cursos de introdução à Meditação Vipassana onde a técnica é ensinada passo-a-passo em cada dia. O curso começa depois do periodo de registo e orientação compreendido entre as 14h e as 17h, e segue-se durante 10 dias completos de meditação, terminando na manhão do 11º dia pelas 7:30.
10-day Courses for Old Students have the same timetable and discipline as 10-day courses. These courses are open to serious old students who have completed at least three 10-day courses and one Satipaṭṭhāna Sutta course, have not been practising any other meditation techniques since last 10-day course, have been practising this technique of Vipassana for at least one year, are trying to maintain the five precepts in their daily lives, and trying to maintain daily practice.
Programas para Alunos Antigos são similares aos Períodos de Serviços nos quais há tempo para se trabalhar em várias atividades de manutenção do Centro e em projetos de construção e jardinagem, porém contêm uma programação mais estruturada e completa, oportunidades para se reunir com professores-assistentes e possivelmente com comitês e assembléia de servidores. Todos os Alunos Antigos são convidados a participar. O programa diário incluirá três meditações em grupo intercaladas com períodos de trabalho pela manhã e à tarde. Em noites selecionadas, haverá fitas sobre palestras e conversas especiais de S.N. Goenka para Alunos Antigos.
Cursos de Satipatthana Sutta seguem o mesmo horário e disciplina de um curso de 10 Dias. A diferença é que, nas palestras noturnas gravadas, o Satipatthana Sutta é examinado cuidadosamente. Este é o principal texto em que a técnica de Vipassana é explicada de forma sistemática. Estes cursos estão abertos a alunos antigos dedicados que tenham completado (não incluindo cursos em que tenham servido) pelo menos três cursos de 10 Dias, não tenham praticado qualquer outra técnica de meditação desde o último curso de 10 Dias, estejam praticando esta técnica de Vipassana há pelo menos um ano, e que estejam se esforçando para manter a sua prática de meditação e a observância dos cinco preceitos em sua vida diária pelo menos desde o momento em que se inscreveram para o curso.
Autocursos para Alunos Antigos seguem o mesmo horário e disciplina de um curso de 10 Dias. A diferença é que não há um professor-assistente. Estes cursos estão abertos a alunos antigos dedicados que tenham completado pelo menos três cursos de 10 Dias, não tenham praticado qualquer outra técnica de meditação desde o último curso de 10 Dias, estejam praticando a técnica de Vipassana há pelo menos um ano e mantendo a observância dos Cinco Preceitos em sua vida.
Vipassana, que significa ver as coisas como realmente são, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Foi redescoberta por Buda Gotama há mais de 2500 anos e ensinada por ele como um remédio universal para males universais, ou seja, uma Arte de Viver. Essa técnica não sectária visa a total erradicação das impurezas mentais e a resultante suprema felicidade da liberação completa. A cura, não a mera cura de doenças, mas a cura essencial do sofrimento humano, é o seu propósito.
Vipassana é um caminho de autotransformação que utiliza a auto-observação. Foca a profunda interconexão entre mente e corpo, que pode ser experimentada diretamente pela atenção disciplinada às sensações físicas, que, por sua vez, constituem a vida do corpo e continuamente se interconectam e permitem a vida da mente. É essa jornada de autoconhecimento baseada na observação — que objetiva a raiz comum da mente e do corpo — a responsável pela dissolução das impurezas mentais, resultando numa mente em equilíbrio, cheia de amor e compaixão.
As leis científicas que regulam os pensamentos, sentimentos, julgamentos e sensações se tornam claras. Pela experiência direta, compreende-se a natureza de como se progride ou regride, como se produz ou se liberta do sofrimento. A vida começa a se caracterizar por consciência, libertação de ilusões, autocontrole e paz cada vez maiores.

A Tradição

Desde o tempo de Buda, Vipassana tem sido transmitida, até o presente momento, por uma ininterrupta cadeia de professores. Embora de origem indiana, o atual professor nesta cadeia, Sr. S.N. Goenka, nasceu e foi criado na Birmânia (Myanmar). Enquanto viveu lá, ele teve o privilégio de aprender Vipassana de seu professor, Sayagyi U Ba Khin que, naquela época, era um graduado funcionário público. Depois de ser treinado por seu professor durante quatorze anos, o Sr. Goenka se estabeleceu na Índia, iniciando seus ensinamentos de Vipassana em 1969. Desde então, ele tem ensinado a milhares de pessoas de todas as raças e credos, no ocidente e no oriente. Em 1982 ele começou a nomear professores assistentes para ajudá-lo a atender à demanda crescente por cursos de Vipassana.

Os Cursos

A técnica é ensinada em retiros de dez dias, durante os quais os participantes seguem o Código de Disciplina recomendado, aprendem os fundamentos do método e praticam o suficiente para experimentar seus resultados benéficos.
O curso requer trabalho sério e árduo. Há três passos no treinamento. O primeiro passo é abster-se — durante todo o curso — de matar, roubar, manter atividade sexual, mentir e se intoxicar. Esse simples código de conduta moral serve para acalmar a mente que, de outra forma, estaria muito agitada para executar a tarefa de auto-observação. O próximo passo é desenvolver o domínio da mente aprendendo a fixar a atenção na realidade natural do fluxo da respiração, sempre mutável, enquanto entra e sai das narinas. Ao quarto dia, a mente está mais clara e mais em foco, mais preparada, portanto, para empreender a prática de Vipassana em si: observar as sensações por todo o corpo, compreendendo sua natureza e desenvolvendo a equanimidade, aprendendo a não reagir a elas. Finalmente, no último dia os participantes aprendem a meditação de amor ou boa vontade frente a todas as coisas, quando a pureza desenvolvida durante o curso é partilhada com todos os seres.
A prática inteira é, na verdade, um treinamento mental. Exatamente como usamos exercícios físicos para melhorar a saúde de nosso corpo, Vipassana pode ser utilizado para desenvolver uma mente saudável.
Porque a técnica é considerada genuinamente proveitosa, muita ênfase é dada à preservação de sua forma autêntica, original. Ela não é ensinada comercialmente, mas, pelo contrário, é oferecida gratuitamente. Nenhuma pessoa envolvida nesse ensinamento recebe qualquer remuneração material. Não se cobra nada pelos cursos — nem mesmo para cobrir os custos de alimentação e acomodação. Todas as despesas são cobertas por doações de pessoas que, tendo completado um curso e experimentado os benefícios de Vipassana, desejam dar a outros a oportunidade de também se beneficiarem.
É claro, os resultados vêm gradualmente pela prática contínua. Não é realista nutrir a expectativa de que todos seus problemas sejam resolvidos em dez dias. Nesse tempo, entretanto, a essência de Vipassana pode ser aprendida de forma a ser aplicada na vida diária. Quanto mais se pratica a técnica, mais se é libertado do sofrimento, e mais se está próximo do objetivo final de liberação completa. Mesmo dez dias podem dar resultados vívidos e obviamente benéficos para a vida cotidiana.
Todas as pessoas sinceras são bem-vindas a participar de um curso de Vipassana para ver por si mesmas como a técnica funciona e para sentir seus benefícios. Cursos de Vipassana estão sendo conduzidos até mesmo em presídios, com grande sucesso e maravilhosos benefícios para os participantes. Todos que experimentam acham Vipassana uma ferramenta inestimável para atingir e repartir com outros a verdadeira felicidade.

Meditção Vipassana - S. N. Goenka

Histórico

https://www.dhamma.org/pt/about/goenka
S.N. Goenka
Sr. Goenka é um professor leigo de meditação Vipassana na tradição do falecido Sayagyi U Ba Khin da Birmânia (Mianmar).
Embora seja de origem indiana, o Sr. Goenka nasceu e foi criado na Birmânia. Quando vivia na Birmânia teve a felicidade de entrar em contato com U Ba Khin e aprender a técnica de Vipassana com ele. Após ter sido treinado durante quatorze anos pelo seu professor, o senhor Goenka se estabeleceu na Í ndia e começou a lecionar Vipassana em 1969. Em um país dividido radicalmente por diferenças de casta e de religião, os cursos oferecidos pelo senhor Goenka têm atraído pessoas de todos os segmentos da sociedade. Além disso, muitas pessoas de países do mundo inteiro têm vindo freqüentar cursos de meditação Vipassana.
O Sr. Goenka tem ensinado dezenas de milhares de pessoas em mais de 300 cursos de dez dias na Índia e em outros países, no Oriente e no Ocidente. Em 1982, começou a nomear professores-assistentes para ajudá-lo a enfrentar a crescente demanda por cursos. Centros de meditação foram estabelecidos sob a sua orientação na Índia, no Canadá, nos Estados Unidos, na Nova Zelândia, na França, no Reino Unido, no Japão, no Sri Lanka, na Tailândia, em Mianmar, no Nepal e em outros países.
A técnica ensinada por S.N. Goenka representa uma tradição que remonta ao Buda. O Buda nunca ensinou uma religião sectária; ensinou Dhamma — o caminho da libertação — que é universal. Na mesma tradição, a postura do senhor Goenka é inteiramente não-sectária. Por esse motivo, seu ensinamento tem atraído pessoas de todas as origens, de todas as religiões ou sem qualquer religião, de todas as partes do mundo.
Goenka recebeu muitos prêmios e honras durante sua vida, incluindo o prestigiado Prêmio Padma, do presidente da Índia, em 2012. Esta é um das mais importantes premiações dadas pelo governo indiano a pessoas da sociedade.
Satya Narayan Goenka respirou pela última vez em setembro de 2013, com 89 anos. Ele deixou um legado inestimável: a técnica de Vipassana, que agora está mais disponível do que nunca para pessoas do mundo todo.

Reunião de Cúpula das Nações Unidas sobre a Paz

No verão de 2000, o Sr. Goenka, o professor titular de meditação Vipassana, visitou os EUA e discursou junto com outros líderes espirituais mundiais na Reunião de Cúpula do Milênio sobre a Paz Mundial na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O Discurso de S.N. Goenka na Reunião de Cúpula sobre a Paz

Por Bill Higgins, Agosto de 2000
S. N. Goenka at U.N.
Fotografia cortesia de Beliefnet Inc.
Nova Iorque — O Acharya de Vipassana S.N. Goenka discursou para os representantes das delegações à Reunião de Cúpula do Milênio sobre a Paz Mundial no Plenário da Assembléia Geral das Nações Unidas que, pela primeira vez, reuniu líderes religiosos e espirituais.
O discurso do Sr. Goenka, na sessão intitulada A Transformação do Conflito, focalizou os temas da harmonia religiosa, tolerância e coexistência pacífica.
“Em vez de converter pessoas de uma religião organizada para outra religião organizada”, disse o Sr. Goenka, “nós deveríamos tentar converter pessoas do sofrimento para a felicidade, do cativeiro para a liberdade e da crueldade para a compaixão.”
O Sr. Goenka proferiu este discurso durante a sessão da tarde da Reunião de Cúpula para um grupo que incluía aproximadamente dois mil representantes de delegações e observadores. O Sr. Goenka se pronunciou após a intervenção do fundador da CNN, Ted Turner, um dos patrocinadores financeiros do evento.
Mantendo-se dentro do tema da Reunião em busca da paz mundial, o Sr. Goenka deu ênfase em seu discurso que a paz no mundo não poderá ser alcançada enquanto não houver paz dentro dos indivíduos. “Não poderá haver paz no mundo enquanto as pessoas tiverem ódio e raiva em seus corações. Somente com amor e compaixão no coração a paz mundial será atingida.”
Um aspecto importante da Reunião de Cúpula é o esforço para reduzir o conflito e a tensão sectários. Com relação a isto, o Sr. Goenka disse, “Quando há raiva e ódio internamente, o indivíduo fica infeliz independentemente de ser cristão, hindu ou muçulmano.”
Da mesma forma, ele declarou a uma platéia que aplaudia com entusiasmo, “Aquele que tiver amor e compaixão com um coração puro experimenta o Reino dos Céus interior. Esta é a Lei da Natureza, ou se preferirem, a vontade de Deus.”
Apropriado para uma platéia que incluía importantes líderes religiosos ele disse, “Vamos nos concentrar nas características comuns de todas as religiões, no núcleo interior de todas as religiões que é a pureza de coração. Todos nós deveríamos dar importância a este aspecto da religião e evitar conflitos sobre a aparência externa das religiões, que normalmente são os ritos, rituais, festivais e dogmas.”
Para resumir, o Sr. Goenka citou o Imperador Ashoka, que em um de seus Editos esculpidos em pedra disse, “Não se deve somente honrar a sua própria religião e condenar outras religiões. Em vez disso, dever-se-ia honrar todas as religiões por diversas razões. Ao fazer isso, ajuda-se à sua própria religião a crescer e também se presta um serviço às religiões dos outros. Ao agir de maneira diferente desta, cava-se a cova de sua própria religião e se prejudicam igualmente outras religiões. Alguém que honra a sua própria religião e condena outras religiões pode fazer isso em nome da devoção à sua própria religião, pensando, ‘Eu glorificarei a minha religião’, mas as suas ações prejudicam a sua religião de forma mais acentuada. A concórdia é boa. Que todos ouçam e demonstrem boa vontade para escutar as doutrinas proferidas por outros.”
O Secretário Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, chamou a reunião de cúpula “um encontro de importantes líderes religiosos e espirituais em um apelo conjunto pela paz que, todos esperam, fortalecerá a perspectiva de paz ao ingressarmos no novo milênio.”
Líderes espirituais que foram convidados para a primeira conferência das Nações Unidas desse tipo incluem Pramukh Swami do Movimento de Swami Narayana, Swami Dayananda Saraswati, Swami Agniwesh, Mata Amritanandamayi Devi e Dada Wasvani, bem como os eruditos Dr Karan Singh e L. M. Singhvi.
Com relação à diversidade religiosa e cultural dos participantes, Annan disse, “as Nações Unidas são uma tapeçaria, composta não somente de ternos e de sáris, mas de colarinhos clericais, hábitos de monjas e mantos de lamas, mitras, solidéus e yarmulkes.”
Embora Annan tenha sido repetidamente questionado sobre a ausência dos líderes tibetanos, ele tentou dirigir as perguntas de volta para o objetivo da reunião de cúpula, que era segundo ele “o de restaurar a religião ao seu papel principal de construtora da paz e de pacificadora – o problema do conflito nunca é a Bíblia ou o Torá ou o Corão. Na realidade, o problema nunca é a fé – são os fiéis e como nos comportamos com os semelhantes. Vocês devem, uma vez mais, ensinar os seus fiéis a seguir os caminhos da paz e os caminhos da tolerância.”
A expectativa do líder das Nações Unidas é a de que, tendo em vista que 83% da população mundial adere a uma religião ou a um sistema de crença espiritual formais, estes líderes religiosos podem influenciar seus seguidores em direção à paz.
As Nações Unidas esperam que a conferência leve a comunidade internacional, nas palavras de um dos documentos, “a reconhecer não apenas o seu potencial espiritual mas também o fato de que está ao alcance de nossas mãos o poder para erradicar a pior forma de brutalidade humana – a guerra – bem como uma das causas raiz da guerra – a pobreza. A hora chegou para a liderança espiritual mundial trabalhar mais estreitamente com a ONU. no seu esforço de atender aos anseios mais prementes da humanidade.”
A Reunião de Cúpula terminará nesta próxima quinta-feira, dia 31 de agosto de 2000, quando os participantes assinarão uma Declaração para a Paz Mundial e formarão um Conselho Internacional de Consulta de Líderes Religiosos e Espirituais, que trabalhará com a ONU. e o secretário geral da ONU na construção da paz e nos esforços de manutenção da paz
“O objetivo do Conselho Internacional de Consulta de Líderes Religiosos e Espirituais é o de garantir e de fortalecer o trabalho da ONU.”, disse Bawa Jain, o Secretário Geral da Reunião de Cúpula para a Paz Mundial. “É o nosso mais sincero desejo que em tempo de conflito, os maiores líderes religiosos e espirituais de todo o mundo possam ser lançados de pára-quedas nessas áreas tumultuadas a fim de propor resoluções não-violentas para esses conflitos.”

O Discurso na ONU

Segue o texto completo do discurso proferido por Sr. Goenka na terça-feira, dia 29 de agosto de 2000, no Plenário da Assembléia Geral das Nações Unidas, aos participantes da Reunião de Cúpula do Milênio para a Paz Mundial.

Espiritualidade Universal para a Paz, por S.N. Goenka

Date: August 29, 2000
Quando há escuridão, a luz é necessária. Hoje, com tanta agonia provocada por conflito violento, guerra e derramamento de sangue, o mundo precisa urgentemente de paz e harmonia. Este é um grande desafio para os líderes religiosos e espirituais. Aceitemos este desafio.
Toda religião possui uma forma ou uma aparência exterior e uma essência ou núcleo interior. A aparência exterior consiste de ritos, rituais, cerimônias, crenças, mitos e doutrinas. Isto varia de uma religião para a outra. Mas existe um núcleo interior comum a todas religiões: os ensinamentos universais de moralidade e de caridade, de uma mente disciplinada e pura cheia de amor, compaixão, boa vontade e tolerância. É este denominador comum que os líderes religiosos devem enfatizar, e que os seguidores religiosos devem praticar. Se for dada a importância adequada à essência de todas as religiões e for mostrada maior tolerância pelo seu aspecto superficial, o conflito poderá ser minimizado.
Todas as pessoas devem ser livres para professar e seguir a sua fé. Ao fazerem isso, contudo, elas devem ter cuidado para não negligenciarem a prática da essência de sua religião, para não perturbarem os outros pela prática de suas próprias religiões e para não condenar nem menosprezar outras fés.
Em razão da diversidade das fés, como superamos as diferenças e atingimos um plano concreto para a paz? O Buda, o Iluminado, era freqüentemente procurado por pessoas de diferentes pontos de vista. Para eles, dizia “Deixemos as nossas diferenças de lado. Demos atenção àquilo onde possamos concordar e coloquemos isso em prática. Por que discutir?” Este sábio conselho ainda é válido hoje em dia.
Eu venho de uma terra antiga que deu origem a muitas e distintas escolas filosóficas e espirituais ao longo dos milênios. Apesar de casos isolados de violência, o meu país tem sido um modelo de co-existência pacífica. Há 2.300 anos era dirigido por Ashoka, o Grande, cujo império se estendia do atual Afeganistão a Bangladesh. Em todo o seu reino, este dirigente cheio de compaixão fez inscrever editos em pedra, proclamando que todas as fés deveriam ser respeitadas e, conseqüentemente, seguidores de todas as tradições espirituais se sentiam seguros sob sua jurisdição. Ele pedia às pessoas para levarem uma vida moral, respeitarem os pais e idosos, e se absterem de matar. As palavras que utilizava para incentivar os seus súditos ainda são relevantes hoje em dia:
Um indivíduo não deveria somente honrar a sua própria religião e condenar outras religiões. Em vez disso, dever-se-ia honrar outras religiões por diversas razões. Ao fazer isso, ajuda-se a sua própria religião a crescer e se presta serviço à religião dos outros. Ao agir diferentemente, cava-se uma cova para sua própria religião e se prejudicam outras religiões igualmente. Alguém que honra a sua própria religião e condena outras religiões pode fazer isso por devoção à sua própria religião, pensando, “Eu glorificarei a minha religião”; mas esta ação prejudica a sua própria religião mais seriamente. A concórdia é boa. Que todos escutem e se disponham a ouvir as doutrinas professadas por outros. (Edito em pedra 12)
O Imperador Ashoka representa uma tradição gloriosa de co-existência tolerante e de síntese pacífica. Aquela tradição sobrevive entre governos e dirigentes hoje em dia. Um exemplo é o do Nobre Monarca de Omã, que doou terra para a construção de igrejas e de templos de outras crenças, enquanto pratica a sua própria religião com toda a devoção e empenho. Eu tenho certeza de que tais líderes e governos compassivos continuarão a aparecer no futuro em muitos lugares em toda a parte do mundo. Como se diz, “Abençoados são os promotores da paz, pois ele serão chamados de filhos de Deus.”
Está mais do que claro que os adeptos da violência primeiramente ferem seus próprios amigos, vizinhos e familiares. Eles podem fazer isso diretamente, por intermédio de sua intolerância ou indiretamente ao provocar uma resposta violenta às suas ações. Por outro lado, diz-se “Abençoados são aqueles cheios de misericórdia pois eles irão obter a misericórdia.” Esta é a lei da natureza. Ela pode ser igualmente chamada de decreto ou caminho de Deus. O Buda disse, “A animosidade pode ser erradicada não pela animosidade, mas somente pelo seu oposto. Este é um eterno Dhamma (lei espiritual).” O que é chamado de Dhamma na Índia nada tem a ver com hinduismo, budismo, jainismo, cristianismo, islamismo, judaísmo, sikhismo ou qualquer outro “ismo”. Esta é a verdade simples: antes de prejudicar outros, você primeiro se prejudica a si mesmo ao gerar negatividade mental; e ao remover a negatividade, você pode encontrar a paz interior e fortalecer a paz no mundo.

Paz na Mente para a Paz no Mundo

Cada religião digna desse nome convoca seus seguidores para levarem um estilo de vida moral e ético, para atingirem o domínio da mente e para cultivarem a pureza do coração. Uma tradição nos diz, “Ame o seu Vizinho”, outra diz, Salaam Malekum – “Que a paz esteja convosco”; ainda outra diz, Bhavatu sabba mangalam ou Sarve bhavantu sukhinah – “Que todos os seres possam ser felizes”. Seja a Bíblia, o Alcorão ou o Gita, as escrituras chamam pela paz e pela amizade. De Mahavira a Jesus, todos os grandes fundadores de religiões foram ideais de tolerância e de paz. No entanto, o nosso mundo é freqüentemente movido a disputas sectárias e religiosas ou até mesmo pela guerra – porque nós damos importância somente para a aparência exterior da religião e negligenciamos a sua essência. O resultado é uma carência de amor e compaixão na mente.
A paz no mundo não pode ser atingida a não ser que haja paz dentro dos próprios indivíduos. Agitação e paz não podem co-existir. Um caminho para se atingir a paz interior é Vipassana ou a Meditação da Introspecção – uma técnica de auto-observação e de experimentação da verdade, não-sectária, científica voltada para resultados. A prática dessa técnica traz a compreensão experimental de como a mente e o corpo interagem. Sempre que a mente gera amor desinteressado, compaixão e boa vontade, o corpo inteiro é invadido por sensações agradáveis. A prática de Vipassana também revela que a ação mental precede cada ação física ou vocal, determinando se aquela ação será saudável ou insalubre. A mente é o que mais importa. É por isso que nós devemos encontrar métodos práticos para tornar a mente pacífica e pura. Tais métodos amplificarão a eficácia da declaração conjunta que emergirá dessa Reunião de Cúpula para a Paz no Mundo.
A Índia Antiga deu duas práticas ao Mundo. Uma é o exercício físico das posturas do ioga (Asanas) e o controle da respiração (Pranayama) a fim de manter o corpo saudável. A outra é o exercício mental de Vipassana a fim de manter a mente saudável. Pessoas de quaisquer credos podem e de fato praticam ambos os métodos. Ao mesmo tempo, elas podem seguir suas próprias religiões em paz e harmonia; não há necessidade de se converter, uma fonte comum de tensão e de conflito.
Para a sociedade ter paz, mais e mais membros da sociedade devem ser pacíficos. Como líderes, nós temos a responsabilidade de dar o exemplo, de ser uma inspiração. Um sábio certa vez disse, “Uma mente equilibrada é necessária para equilibrar a mente desequilibrada dos outros.”
De forma mais ampla, uma sociedade pacífica encontrará uma forma de viver em paz com o seu entorno natural. Nós todos entendemos a necessidade de se proteger o meio ambiente, de parar de polui-lo. O que nos impede de agir com base nesse entendimento é o estoque de poluentes mentais, tais como a ignorância, a crueldade e a ganância. Ao remover tais poluentes promover-se-á a paz entre os seres humanos, assim como uma relação equilibrada e saudável entre a sociedade humana e o seu meio ambiente natural. Esta é a forma pela qual a religião pode garantir a proteção do meio ambiente.

Não-Violência: a Chave para uma Definição de Religião

É inevitável existirem diferenças entre religiões. No entanto, ao virem a esta Reunião de Cúpula para a paz no Mundo, os líderes de todas as maiores fés mostraram que querem trabalhar pela paz. Deixem, então, a paz ser o primeiro princípio da “religião universal”. Declaremos em conjunto que nos iremos abster de matar, que condenamos a violência. Eu também invoco os líderes políticos a se juntarem a nós nesta declaração, dada a importância estratégica de suas ações em prol da paz ou da guerra. Caso se juntem ou não a nós nessa declaração, deixem-nos pelo menos deixar claro aqui e agora: em vez de aceitarmos a violência e o extermínio, deixem-nos declarar que condenamos incondicionalmente tais atos, especialmente a violência perpetrada em nome da religião.
Certos líderes espirituais tiveram a sagacidade e a coragem de condenar a violência cometida em nome de sua própria fé. Pode haver visões filosóficas e teológicas diferentes sobre o ato de se buscar o perdão ou o arrependimento por ações passadas de violência e de extermínio; mas o próprio reconhecimento da violência praticada no passado implica no fato de ter sido equivocada e de que não será aceitável no futuro.
Sob a égide da ONU, deixem-nos tentar formular uma definição de religião e de espiritualidade com destaque para a não-violência, e com rejeição a qualquer apoio à violência e ao extermínio. Não haveria infortúnio maior para a humanidade do que se deixar de definir religião como sinônimo da paz. Esta reunião de cúpula poderia propor um conceito de “religião universal” ou de “espiritualidade não-sectária”, para endosso da ONU.
Estou seguro de que esta reunião de cúpula ajudará a focar a atenção do mundo no propósito verdadeiro da religião.
A religião não nos divide, ela ensina a paz e pureza de coração.
Eu me congratulo com os organizadores desta histórica reunião de cúpula pela sua visão e pelo seu esforço. E eu me congratulo com os líderes religiosos e espirituais que tiveram a maturidade para trabalhar pela reconciliação, dando esperança à humanidade que a religião e a espiritualidade nos levarão a um futuro pacífico.
Que todos os seres possam estar livres da aversão e ser felizes.
Que a paz e a harmonia possam prevalecer.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Autoconhecimento

Quem sou eu?


Pare e faça essa pergunta pra si mesmo... Quem sou eu?
Muito provavelmente as respostas que virão correspondem aos papéis que você têm na vida: profissão, posição familiar, adjetivos, posição financeira, etc. mas sinto lhe dizer, nada disso É VOCÊ.
Tudo isso faz parte de seu ego, mas não é verdadeiramente você!
Normalmente buscamos o autoconhecimento apenas depois de ter sofrido bastante, de termos colecionado doenças, de termos falido materialmente, profissionalmente, emocionalmente, espiritualmente. Somente quando ficamos perdidos, desesperados, sem perspectivas de vida, desanimados, tomados de um pessimismo extremo é que nos dirigimos à senda da busca do retorno a nós mesmos. E este pessimismo ocorre depois de várias tentativas frustradas na aquisição de nossos objetivos. Quando percebemos que tudo aquilo que fizemos foi em vão, e nos vemos insatisfeitos, presos num conflito porque nosso direcionamento é para frente, mas algo nos segura, nos arrasta para trás, que é justamente a parte obscura, que não conhecemos que existe dentro de cada um de nós e que precisa vir à luz, tornar consciente.

Essa parte é a nossa sombra, são os preconceitos, crenças que não servem mais. Refletindo sobre elas hoje, percebemos que não há mais sentido em utilizá-las. Muitos desses preconceitos são criados quando somos bebês, assim não é algo aprendido ou gravado por intermédio da linguagem, mas pela sensação e emoção, por isso não temos acesso consciente. Por exemplo, um bebê que é repreendido pelo fato de estar chupando o dedo, mais tarde poderá se repreender de maneira irrefletida e sentir desgosto consigo mesmo; no futuro, quando tiver seus filhos, poderá sentir repulsa ao ver seu filho chupando dedo, e reagir de forma irracional, repreendendo a criança exageradamente. Normalmente os pais que batem ou espancam os filhos estão repetindo aquilo que seus próprios pais fizeram, esta é uma repetição automática, não pensada, e às vezes os pais até planejam educar diferentemente seus filhos, e quando vêem estão fazendo o oposto a que se propuseram, sentem culpa, mas não conseguem evitar e agir diferente. Para quebrar esta cadeia é preciso tornar consciente a causa original do comportamento, compreendendo e elaborando a experiência para o momento atual.

Mas só procuramos o autoconhecimento depois que todo o resto falhou, isso quando procuramos! Muitos nascem e morrem sem conhecer-se. Presos nas próprias armadilhas, às vezes passam por várias cirurgias, por exemplo, para curar-se, mas estão presos ao processo inverso, não é extirpando um órgão que resolvemos o conflito instalado. Não estou dizendo que é errado fazer a cirurgia, pois se não foi possível resolver a nível psíquico, claro que não será possível viver precariamente com um que funciona de forma deficiente. Mas ressalto a importância da prevenção, ou mesmo de observação constante, para que já no início dos sintomas e desequilíbrios partamos para a solução verdadeira, mesmo que passando por uma cirurgia, precisamos iniciar uma investigação da causa da doença.

Há algum tempo atrás eu também era assim, só acreditava nas coisas que podia testar com meus cinco limitados sentidos. Não acreditava no trabalho do psicólogo, não percebia os mistérios da natureza, para mim tudo no mundo era muito estanque, fechado, tudo tinha um fim em si mesmo, não acreditava que as doenças orgânicas eram causadas por conflitos que se iniciavam no nosso aparelho mental. Achava impossível que meu coração tivesse uma taquicardia pelo meu próprio comando, de forma inconsciente. Preocupava-me com as doenças que tinha, e era uma ofensa se alguém me dissesse que as produzi, ficaria indignada, passava por consultas, andava de médico em médico, achando que seria dessa forma que poderia restabelecer minha saúde, até perceber sua ineficácia, as limitações da medicina. A vida foi me chicoteando até que percebi a existência dos mistérios entre o céu e a terra, que na verdade não são mistérios, mas fazem parte de nosso universo e como Jesus, disse: quem tiver ouvidos que ouça, quem tiver olhos que veja. A evolução da medicina não substitui a cura pelo espírito, não alcançaremos a paz através da cura externa. O meio de cura empregado pela medicina ortodoxa não revela ao homem sua própria alma. Mesmo que alcancemos a saúde, o sucesso nas finanças, mesmo estando cercado pela família, mesmo tendo um relacionamento estável, sempre sentiremos um vazio, nos sentiremos solitários ao nos recolhermos. Assim por mais que busquemos preencher este vazio, ainda estaremos insatisfeitos, enquanto não nos encontrarmos e não sentirmos a centelha divina que há em nós.

A nossa transformação depende de nossa entrega a Deus. A cura verdadeira é a conexão do espírito de Deus com o do homem, a comunhão interna com Deus, chegando neste estágio obtemos verdadeira paz, felicidade, liberdade, saúde, harmonia, e conseqüentemente a prosperidade e satisfação em todos os âmbitos de nossa vida. A partir do momento que atingimos essa comunhão podemos curar através de Deus, pois somos apenas um canal de cura. E nossa maior barreira, aquela que nos impede de olharmos os mistérios da vida é nosso mentalismo, intelectualismo, a visão fragmentária que temos da vida. Quando buscamos a razão e explicações lógicas para tudo nos afastamos da intuição, da espiritualidade. Porque não sermos apenas crianças, com sua pureza de alma, captando as mensagens da vida através do sentir, extraindo da realidade a essência pura de nossas experiências?


Percebam o quanto é difícil nos relacionarmos com pessoas que estão preocupadas apenas com a parte material da vida. Estão buscando apenas o ter, o fazer, e esquecem de SER. Por exemplo, o professor que se preocupa apenas em ensinar o conteúdo das disciplinas, e não tem um vínculo afetivo com os alunos, dificilmente ensinará de verdade. A criança terá uma dificuldade muito grande para assimilar os conteúdos passados de maneira fria, sem emoção, afeto, porque a criança é sábia, e ainda não foi anestesiada pela parte material da vida, e em contato com aulas ministradas mecanicamente, forma como que uma proteção, pois não é coerente com sua essência, e não aprende. Observo a dificuldade que os professores tem hoje para lecionar. Nas salas de aula são travadas verdadeiras batalhas, o aluno reage e protesta contra as aulas que não encontram eco em suas idéias e vivências; rebelam-se contra um estabelecimento instituído, onde não podem opinar, com indisciplina, com agressividade, com drogas ou com isolamento. Isso ocorre porque são subjugados em seus direitos de se expressarem verdadeiramente, que explodem por outras vias.

Isso acontece em casa também, porque muitos pais estão se esquivando da arte de educar, estão muito envolvidos em trabalhar para adquirir o sustento, passam por stress e toda sorte de carências que estamos sujeitos em nossa sociedade, e acabam por perder a paciência justamente com os filhos. Quando percebem já aconteceu uma explosão emocional, já bateram no filho, (se bater resolvesse uma palmada só bastaria, mas através do tapa não educamos, apenas teremos reações de retraimento, ou de agressividade, de hostilidade), ao bater os pais sentem culpa e acabam não sendo firmes o suficiente para impor regras e normas de condutas, não compreendem verdadeiramente o filho, e não os preenchem com todo o amor que sentem, pois no corre-corre da vida esquecem que precisam expressar este amor.

A criança se aproxima do pai com o desenho que fez na escola, quer lhe mostrar, e o pai está muito ocupado preocupado em ganhar dinheiro, responde que não tem tempo, que precisa ir trabalhar, ele vai até a mãe, tenta lhe mostrar, mas esta responde que agora não dá, pois está lavando as janelas. Uma criança precisa do apoio dos pais, do carinho, de atenção, é através do amor que desenvolvemos nossos filhos. Através de uma palavra amiga, de um abraço, um olhar, de compartilhar tristezas e alegrias. Experimente expressar amor quando seu filho está irritado, quando tem atitudes hostis, e observe sua reação, caso não mude imediatamente, não desista, até que este amor atinja seu coração e abrande toda forma destrutiva que lhe atinge, mas que não faz parte de sua essência. A criança tem necessidade de amor, afeto, aceitação incondicional, se houver pouco amor haverá descrença e insatisfação que no futuro a levará ao fracasso. Com amor ela adquire condições para se desabrochar e se realizar na vida futuramente. A teimosia, a agressividade, a mentira, a apatia, a rebeldia, o fracasso escolar, o roubo, o uso de drogas são reações cujas causas deve-se descobrir em vez de castigar ou desprezar a criança.


Para educar devemos conhecer os anseios, preferências, dificuldades e não ditar ordens irrevogáveis, pois se tornarão revoltados ou tímidos, mas conceder com limites, pois caso sejam sempre atendidos em seus desejos poderão se tornar dependentes, imaturos e não desenvolverem o autoconceito. Devemos incentivar as suas produções – brincadeiras, lições e trabalhos escolares, deixar que tomem decisões para que possam amadurecer. Evitar superproteger para não estimular a dependência, o medo de tudo, a mentalidade infantil. Estimulá-los  a serem solidários, ajudando e apoiando seus irmãos e amigos. Estimular pelo exemplo a generosidade, otimismo. Estimular para que ajudem nas tarefas do lar. Ser consistente e persistente ao impor regras, exatamente como fazem as crianças quando desejam algo. Participar da vida da escola.

Tem pais que deixam a educação  do filho sob a responsabilidade da escola, mas a personalidade é formada até os sete anos de idade e cabe aos pais esse trabalho, pois se a criança entra na escola sem um mínimo de estrutura de valores e regras de conduta, terá uma dificuldade enorme para se adaptar, como também a escola se encontrará com uma dupla tarefa. A escola tem como objetivo principal o processo de ensino e o desenvolvimento social, e torna-se difícil fazer também a parte que não foi realizada em tempo no seio da família, porque é melhor formar a criança do que corrigi-la mais tarde. Por exemplo, se a criança não aprendeu que precisa sentar-se para fazer uma atividade como comer, desenhar, etc, ao chegar na escola será mais difícil ensiná-la que precisa sentar-se para escrever, para ler, para ouvir o professor, e imaginem como fica uma sala onde vários alunos ainda não tenham aprendido isso e o tamanho da dificuldade para ensinar.

Nós passamos a existir verdadeiramente no relacionamento com o outro, no início com o pai e a mãe, e depois com a sociedade. Nesta relação desenvolve e revela-se nossa própria existência, por isso a necessidade de vivermos cada momento em interação absoluta com aqueles que estão à nossa volta, e principalmente as crianças, pois estão sendo formados para a vida. Porém os professores também são subjugados em seu direito de criar, pois os conteúdos, a avaliação, os prazos e leis são preestabelecidos, e eles se sentem restritos para renovar o ensino. Veja que neste século houve grandes pensadores que tiveram idéias perspicazes, existe um acervo enorme debatendo as novas maneiras para ensinar, porém nos livros já até se tornaram velhas, mas é praticada apenas por um pequeno número de escolas. Fala-se muito em construtivismo, porém fica apenas no nível da fala, não é colocado em prática, até porque para utiliza-lo é necessário o uso da abertura para criar. O construtivismo consiste em deixar que o aluno aprenda através da própria construção do conhecimento, resgatando através de estímulos tudo aquilo que na verdade já sabe. Mas para que isso ocorra é necessário um nível muito bom de abertura para ouvir o aluno, estabelecendo uma comunicação mais humana, para que esse processo ocorra de maneira totalmente livre, sem julgamentos. Para isso a criatividade deve ser estimulada, mas somos criativos apenas quando atingimos a liberdade de sermos simplesmente nós mesmos. Tenho observado professores que estão ainda incoerentes consigo mesmo. Todas as pessoas que trabalham com o ser humano devem passar por um processo que lhes favoreça o autoconhecimento, para ficarem livres de condicionamentos, que são formas estereotipadas de comportamento em resposta a determinadas situações, e derrubarem  barreiras consigo mesmo e na comunicação com os outros.



Gostaria que cada pessoa tomasse a resolução de conhecer-se, mas sei que não posso intervir ativamente na vida de ninguém, pois o rio corre sozinho, assim caminha a humanidade. Cada um seguindo seu próprio caminho de evolução, e com certeza, crescendo com ele. Mesmo estando agarrado ao materialismo concreto, mesmo sem dar-se conta da enorme gama de princípios que regem a vida e a morte. Mas cada um que lê esta matéria pode se observar e promover a sua mudança, o esforço é necessário, sem o trabalho dedicado não alcançamos os resultados que almejamos.

Sinta-se desafiado porque esse empreendimento exige grande esforço. E acredito plenamente que você é capaz, deixe fluir a energia da vida e perceba que é forte o suficiente para seguir cada passo em sua senda evolutiva, na sua medida, sem comparar-se aos outros, apenas através de seu emprenho. Tudo depende de nossa escolha, e esta escolha deve ser feita com sabedoria. Aquilo que você escolhe e acredita é exatamente aquilo que realiza. Este caminho nos leva a um entendimento profundo e nos liberta para a felicidade, libertando nos do ódio, da ignorância e de tudo que nos separa do Todo. O sucesso é atingido através de observação, curiosidade, pesquisa, desejo de realização, investigação, amor pela verdade, treinamento e prática. Que nenhum desses fatores sirva de impedimento à sua busca.  Faça o que realmente vale a pena em sua vida, percebendo quais são seus objetivos livre de distorções, fazendo um projeto de vida, traçando metas para cada dia, sempre disposto a realiza-las, usando o tempo que temos à disposição que é o momento presente. Aproveitando cada segundo, cada minuto, da nossa grande jornada da vida, em direção à nossa missão, que é ser feliz!

Mude suas crenças e mude seu mundo!

Falso EU x Verdadeiro EU

Ao longo da vida, vamos criando uma imagem falsa de nós mesmos; essa imagem é criada por ilusões, vamos acumulando crenças e ideais e formamos um EU idealizado, um falso EU.
Eu por exemplo, mesmo depois de ter alcançado um estado de iluminação e já há algum tempo meditando, descobri que estou num movimento constante a caminho do despertar, o despertar acontece a cada dia, a cada momento. Percebi como me deixava levar pelos modismos, pois escondia meus cabelos brancos com tintura, fazia escova progressiva, tive vontade de fazer cirurgia plástica no abdomen, estava alimentando uma imagem falsa e agora vejo que nada disso importa... .
Disfarçar ou esconder a idade...  Porque não ter cabelos brancos? É tão bom aceitar as coisas como elas são! E não preciso me apegar nem sentir aversão a isso, posso enxergar a verdade última: tudo está sempre em constante mudança. A meditação me leva a observar as mudanças sem me identificar, aceitando o que surge, livre de imaginações e criações mentais, mas observando a realidade tal como é no aqui e agora!
O que realmente importa é a cirurgia mais profunda do meu EU interior, em constante evolução, a matéria, o corpo é altamente perecível, mas a identificação com o mundo material traz conflitos e problemas.

Pode até ser que hoje eu tenha idéias e ações ainda condicionadas e que amanhã ou daqui um ano, ou daqui 10 anos eu vá perceber... Estou em constante mudança. Aquela Vera de ontem não existe mais, as camadas mais superficiais de nosso SER muda sempre, mas a minha essência permanece e vem à tona com a meditação. 

E quanto mais investimos energia nessa imagem falsa menos energia temos no centro de nosso ser, que enfraquece, e nos afastamos do verdadeiro EU. Este centro é o EU real, pleno de capacidades, criatividade, potencialidade.  Por isso vem os conflitos, dúvidas, confusões, frustrações, ansiedade, depressões, culpas e insatisfações. Pode ocorrer também desequilíbrios de toda ordem como doenças físicas e mentais, insatisfações profissionais, obesidade, vícios e dependências químicas e emocionais, etc.

Temos padrões rígidos devido ao medo de que tudo acabe caso não sigamos esse modo de viver que determinamos como "correto". Não conseguimos perceber que não podemos ser tão perfeitos como esse EU exige, e por isso nos culpamos e nos castigamos. Nos sentimos fracassados quando não conseguimos atender essas exigências. Não conseguimos perceber como as nossas expectativas em relação a nós mesmos são impossíveis de serem atendidas. Para esconder esse fracasso a maneira mais comum é projetarmos a culpa desse fracasso nos outros, no mundo, enfim fora de nós. Quanto maior a identificação com esse falso EU, maior frustração e sofrimento.

Quando desistimos de investir energia nessa ilusão, podemos deixar que nosso EU mais puro e verdadeiro se revele com suas qualidades e defeitos. Nós somos perfeitos em nossa imperfeição, e quando aceitamos isso, temos uma visão objetiva de nós mesmos e isso nos liberta. Assim, assumimos a responsabilidade pela nossa imperfeição, pelas nossas deficiências, e justamente por não mais investirmos energia para disfarçá-las, essa energia é utilizada para o desabrochar de nossos potenciais. Assim surge de imediato a auto-confiança genuína, autoestima verdadeira, a felicidade, o prazer de viver.

Com a renúncia a esse EU idealizado vem a sensação de liberdade, o nosso EU verdadeiro sabe que não podemos ser perfeitos e não se angustia com isso, renascemos plenamente, nos assumindo como somos, nos valorizando e nos reconhecendo e assim nos sentimos aceitos e reconhecidos pelos outros. Não precisamos mais esconder nada de nós mesmos nem dos outros e nos entregamos à vida de maneira salutar e conhecemos assim a beleza da vida.

A suprema liberdade é encontrar o caminho de volta para o EU verdadeiro, o centro de nosso SER.
Quando tiver coragem para SER você mesmo perceberá que o EU verdadeiro é muito superior ao EU idealizado. Assim se sentirá seguro, em paz, e vai parar também de  buscar essa paz e segurança onde não existem, por exemplo na matéria, tóxicos, relacionamentos simbióticos, na comida, poder, no trabalho excessivo, modismos, etc.

Que todos possam acessar a verdade e a iluminação!